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Victoza, o que é essa medicação?
Dr. Cley Rocha de Farias – Pós-graduando da Endocrinologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
Victoza (liraglutida) é uma nova medicação desenvolvida pelo laboratório Novo Nordisk que está em uso na Europa desde 2009, no Brasil, há 4 meses. Foi desenvolvida inicialmente para o tratamento do Diabetes tipo 2.
A liraglutida é um análogo do hormônio humano GLP-1(glucagon-like peptide-1) que é secretado pelas células L do intestino delgado distal e cólon em resposta à ingestão de alimentos. O GLP-1 tem as seguintes ações: aumenta a secreção de insulina, diminui a de glucagon, melhora função de células beta, retarda o esvaziamento gástrico e reduz o apetite. A liraglutida apresenta 97% de identidade na sequência de aminoácidos com o GLP-1 nativo. Essa pequena diferença lhe conferiu uma meia-vida de 13 horas, já o hormônio humano tem meia-vida de apenas 1,5 minutos. Isso foi devido a uma maior resistência a sua enzima degradadora DDP-4 (dipeptidilpeptidase 4).
Geralmente, seu o uso é feito uma vez ao dia, no período da manhã por via subcutânea e em doses inicialmente baixas para evitar os efeitos colaterais, que são principalmente náuseas e vômitos. A liraglutida deve ser evitada em pacientes com quadro de hipersensibilidade a droga, naqueles com maior risco de desenvolver pancreatite como os etilistas crônicos; em grávidas, lactantes e em famílias com incidência do carcinoma medular de tireoide.
A liraglutida (Victoza) deve ser armazenada na geladeira (2oC-8oC) e após aberta tem validade de 1 mês. No momento, não são recomendadas doses maiores que 1,8mg, porém estudos estão sendo realizados com doses de até 3,0mg para o uso no tratamento da obesidade.
Na nossa experiência clínica, a grande maioria dos pacientes apresentaram melhores níveis glicêmicos, perda de peso, controle de pressão arterial e redução do colesterol e triglicerídeos com baixa incidência de efeitos colaterais: náusea de leve a moderada do 1º ao 3º dia de início do tratamento. Mas como toda medicação, principalmente as recém-desenvolvidas, devemos utilizá-las com cautela, senso crítico e ética naquele paciente adequada e previamente selecionado.
São Paulo, 12 de outubro de 2011.